domingo, 8 de janeiro de 2012

De Joguinho "Projeto (conteúdo)" a Joguinho como "Ferramenta"

Essa semana lí 3 artigos que me chamaram a atenção e fizeram levantar algumas questões sobre o uso de videogames / tecnologia na escola. Não pretendo responder as questões aqui mas levantar algumas reflexões para que meus fieis leitores (os agora 16  seguidores) e demais visitantes deixem suas opiniões.

Uma das matérias (Two Students + Video Game = Innovations in Science) trata de 2 alunos que ganharam um prêmio por modificar os sensores do XBox Kinecti para monitorar a marcha de pessoas com prótese ou com doenças que afetam o movimento. Ah! Fizeram isso no tempo livre, em cursos de verão, na escola...


A outra (Novas tecnologias mudam a rotina de aulas de Educação Física em Cajazeiras) conta sobre como a "chegada de um novo instrumento para a prática de exercícios" (é do videogame que eles falam) trouxe mais dinamismo para as aulas de Educação Física e até ajudando no "espírito de cooperação que surgiu entre os alunos". Mas isso não pode acontecer toda semana, senão corre o risco de virar "rotina também". Precisa de uma "periodização adequada" para atingir "bons resultados, principalmente para aqueles alunos que não têm tanta habilidade para os esportes de quadra que envolvem bola".

Enquanto num lugar, os alunos tiveram a liberdade em escolher o que estudar num projeto "pós-aula", em seu tempo livre, noutro pode jogar, "mas não todo dia" (como se alunos que têm videogame em casa não jogassem)...

Enquanto num há o estímulo para buscar novas possibilidades, seja lá qual for o objeto de estudo, no outro é preciso uma "periodização", como num treinamento, como se fosse resolver o problema dos alunos que tem medo, falta de habilidade com bola...

Enquanto num o equipamento é um instrumento mas também conteúdo a ser estudado, no outro é uma mera ferramenta, como o antigo "videocassete" em que os professores passam filme em dia de chuva...


Não quero aqui vangloriar a escola norte americana e muito menos menosprezar o professor que ganhou o videogame de doação da Polícia Federal, mas levantar a necessidade da formação contínua dos professores e da educação para o audio-visual, da educomunicação, da mídia-educação ou qualquer outro rótulo que possamos dar. 

O professor de Cajazeiras merece parabéns por não ter medo de colocar em uso o videogame na escola, por tentar utilizá-lo da forma que ele entende que seja a ideal, por oportunizar aos seus alunos o privilégio de JOGAREM VIDEOGAME na escola! (Já falei desse tema em fev/2009, em jun/2009 e em ago/2009)


Nós também temos prêmios aqui no Brasil, mas estamos longe de entender que a formação dos professores deve mudar, deve ser contínua, deve acompanhar a rotina dos alunos, deve prestar atenção neles, deve ouví-los...

A 3a. matéria traz, finalmente, o anúncio de investimentos da prefeitura Secretaria Municipal de Educação de SP em novas tecnologias para as escolas da cidade (Prefeitura de SP promete internet sem fio em todas as escolas municipais). Ao ler a matéria senti que parte do dinheiro foi utilizado para algo realmente importante (2012 é ano eleitoral...), mas a equipe docente receberá somente treinamento, "acompanhamento de aulas e coordenação dos exercícios online"... (confesso que não entendi essa de "coordenação de exercícios on line". Seria a "periodização"?)

A matéria me fez lembrar também que, enquanto a prefeitura de SP desenvolveu "cem jogos" de Matemática e Língua Portuguesa (não entendi também...) e quer criar o "facebook escolar" (continuo não entendendo :P), a equipe do C.E.S.A.R. (aqui o prof. Silvio Meira explica melhor) já tem desenvolvido a Olimpíada de Jogos Digitais e Educação junto às Secretarias de Educação de Pernambuco e do Rio de Janeiro há pelo menos 2 anos...

Caminhos diferentes? Falta de parceria? Necessidade de fazer diferente? Não sei, mas que tudo é muito estranho e obscuro não tenho dúvida. 

Fica aqui a reflexão... E vocês o que acham? Será que o professor será sempre o último a ser lembrado?

Abs e até o próximo post!
A

4 comentários:

Guilherme Freitas disse...

Pois é, Alan, existem duas vertentes de discussão: aqueles que detém o poder gostam de propagar aos 4 cantos q investem em tecnologia na educação porque traz visibilidade; por outro lado, a escola nega o uso destas ferramentas desde a formação dos professores até as justificativas pedagógicas de gestores quanto à validade destes meios.

Parada no tempo, a escola (principalmente pública) cumpre um papel: manter-se à margem das mais recentes inovações, desestimulando a ampla parcela da população dela dependente. O que é mais legal para o aluno? Seu Xbox360 onde pode jogar com o corpo e com pessoas do mundo todo ou a sala de aula escolar onde deve ficar sentado 5h seguidas sem falar e copiando de uma lousa?

Abraços!

cybelemeyer disse...

Olá Alan, tudo bem?

Estes tópicos apontados por você são excelentes fontes para debate e discussão.
Um excelente momento para debater e ouvir o que os professores e alunos têm a dizer será a Campus Party. Este ano teremos um espaço cedido pela patrocinadora oficial do evento, a Telefônica, dedicado somente à Educação, o qual o EducaCamp está inserido. Te aguardamos lá.
abraços
Cybele Meyer

Alan Costa disse...

Grande Guilherme,
Tem razão, ainda mais pq muitos acham que "tecnologia" poderia resolver o problema...
Hoje ouvi do Prof. Claudio de Moura e Castro (http://www.claudiomouracastro.com.br) numa palestra na escola onde trabalho que:
- tecnologia + ensino porcaria = ensino porcaria
- tecnologia + ensino bom = possibilidade de melhoria no ensino porcaria
Enquanto não houver a valorização dos educadores, continuaremos na batalha diária. O importante é não desistir!
Abs e obrigado pelo comentário!

Alan Costa disse...

Oi Cybele,

Vou fazer de tudo para estar presente, como sempre!!

Bjs e opbrigado pelo comentário!

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